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sexta-feira, 9 de agosto de 2013

o remorso de baltazar serapião, valter hugo mãe

 

Publicado por: Angélica

Autor: valter hugo mãe
Ano: 2011
Classificação: 5/5

A minha viagem com valter hugo mãe começou pelo fim. Da sua tetralogia que percorre o tempo completo da vida humana, o primeiro livro que li foi "a máquina de fazer espanhóis", o retrato da velhice. Gostei,mas não me apaixonei e, por isso, o reencontro foi quase casual.
No encontro de escritores que substituiu (se é que se pode substituir o que não é substituível) a Feira do Livro do Porto, cancelada por inaceitáveis razões, estive com o escritor e não resisti a comprar "o remorso de baltazar serapião". Primeiro, porque foi com este livro que o escritor ganhou o Prémio José Saramago, depois porque valter hugo mãe me disse que este seria talvez o livro mais dramático dos quatro. "Quanto pior, melhor", foi mais ou menos isso que lhe respondi.
Desde as primeiras linhas que soube que ia adorar o livro. Esta é uma história violenta e obscura, por vezes, tenebrosa. As personagens são marcadas pela ignorância, que lhes dita e assombra o destino, de tal modo, que quase lhes perdoamos as ações, por mais aterradoras que sejam.
É um livro excecional também pela forma como está escrito, realçando a capacidade criativa do autor. Lê-se compulsivamente e as personagens são tão intensas (e tensas) que me acompanharam até nas horas de sono.
Todos são vítimas de uma educação marcada pela estupidez primária, o que lhes vai amaldiçoar decisivamente as vidas. O remorso chega destrutivo e tarde, como sempre.

Para além de escritor (publicou também um livro de poesia e alguns livros para os mais novos), valter hugo mãe é vocalista do grupo musical Governo e esporadicamente dedica-se às artes plásticas. Venceu o Prémio José Saramago e o Grande Prémio Portugal Telecom de Literatura.

sexta-feira, 24 de maio de 2013

O Grande Gatsby, F. Scott Fitzgerald

 

Publicado por: Angélica

Autor: F. Scott Fitzgerald
Ano: 1925 (publicação original) / 2013 (livro lido)
Classificação: 4/5

"O Grande Gatsby" retrata os anos 20 nos Estados Unidos, toda a envolvência da época do jazz, o superficialismo das relações estabelecidas, a leveza com que se encaram os dias sem pensar nas consequências de algumas escolhas, a inacessibilidade  de certo estatuto que só alguns detêm, como que protegidos por algo transcendente e invisível. 
No livro, assistimos ao apogeu e ao declínio de Gatsby até à sua total destruição, enquanto vivemos também a sua história de amor, profundamente marcada pelo egoísmo. 
Embora reconheça o valor literário da obra e do autor, não foi um livro que me arrebatasse. A atmosfera snobe em que vivem as personagens, o seu caráter individualista e presunçoso (comum a quase todas), as relações artificiais e a própria história não me despertaram paixão.
No final, comoveu-me o pai de Gatsby, a transbordar de orgulho pelo filho, uma personagem que quase passa despercebida, mas que vem realçar a inconsistência de toda a vida do protagonista. O contraste entre a vaidade deste pai com o desapego e a indiferença de praticamente todos os outros que com Gatsby se cruzaram foi, talvez, o que mais me entristeceu na história.

"O Grande Gatsby é um dos livros de referência da literatura mundial, integrando as grandes seleções de obras a não perder:
25 Melhores Romances do século XX - Amazon;
100 Melhores Romances do século XX - Le Monde;
100 Melhores Romances de Sempre - Time e Observer;
1000 Livros para Mudar a sua Vida;
1001 Livros para Ler antes de Morrer".

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Calvin & Hobbes

 

Publicado por: Angélica

Autor: Bill Watterson
Ano: 1992
Editora: Gradiva
Número de páginas: 127
Classificação: 5/5

Outro dia, levei este livro para o meu irmão o reler quando o fui visitar ao hospital. Mas como ele não podia rir-se por causa dos pontos (ignorância minha!), acabei por o reler eu entre as viagens de metro e a aula de natação dos miúdos. Adoro banda desenhada, e gosto especialmente do sentido de humor e da inteligência que percorrem estas páginas.
Calvin é o miúdo irrequieto, imaginativo, capaz de tirar do sério o mais paciente dos seres. É cativante. Hobbes, o seu melhor amigo de todas as horas (amigo da onça também), o "bom" conselheiro, às vezes companheiro, outras um simples boneco de peluche. E depois... há os pais, a professora e até a babysitter, todos exasperados com o comportamento de tão alucinante rapaz. A ler.

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Ratos e Homens



Publicado por: Angélica

Autor: John Steinbeck
Ano: 1937
Classificação: 5/5

Depois de ler "A Pérola", andava há uns tempos à procura de "Ratos e Homens", de John Steinbeck. Fui encontrá-lo na minha biblioteca preferida, e muito querida, em casa da minha avó, com aquele cheiro de livro antigo, de páginas amareladas pelo passar do tempo.
O que destaco do livro é a forma como Steinbeck  consegue ser tão profundo de uma forma simples, com uma escrita "fácil", o que faz com que a leitura flua e, numa tarde, se leia um livro seu.
Mas não nos deixemos enganar por esta aparente simplicidade, pois, como referi, Steinbeck conduz-nos às profundezas do ser humano, às suas entranhas. Apetece perguntar como faz ele isso de uma forma aparentemente tão fácil...
Por estas páginas, encontrei a solidão, a amizade, os sonhos... e também as desigualdades sociais entre os homens e, novamente, o sonho, a esperança, aquilo que nos agarra à vida.
"Ratos e Homens" é a história de dois homens que talham juntos os caminhos da existência e de outros seres humanos que com eles se cruzam. As personagens são intensas e psicologicamente complexas, mesmo quando a sua presença parece não ser decisiva para o desenrolar da ação. O final só poderia ser aquele e, mesmo assim, não o poderia imaginar.
Gosto de livros assim, que me façam andar a pensar neles durante dias, que consigam pôr a descoberto o ser humano e, com isso, provoquem em mim um sismo interior.
Um livro que quero reler e que me faz querer ler toda a obra de Steinbeck.

John Steinbeck nasceu a 27 de fevereiro de 1902, nos Estados Unidos. Recebeu o Prémio Nobel da Literatura em 1962, seis anos antes de morrer.